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  • Foto do escritorLuciene Carris

Ao mestre com carinho

Rio de Janeiro, 17 de outubro de 2022.

Luciene Carris*


No último dia 15 de outubro, celebramos uma data muito importante para a maioria das pessoas: o Dia do Professor e da Professora. Possuo boas recordações de antigos mestres desde o jardim de infância até à universidade. Desse modo, gostaria de prestigiar três professores muitos importantes nesta minha trajetória através deste brevíssimo texto. Não poderia de deixar de mencionar os historiadores Lúcia Maria Paschoal Guimarães da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, de Antonio Edmilson Martins Rodrigues da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e da PUC-Rio e do saudoso Antonio Carlos Robert Moraes do Laboratório de Geografia Política da Universidade de São Paulo.




Crédito: wix.


É bem verdade que atuar na educação tem se tornado uma tarefa cada vez árdua para muitos, que escolheram a profissão pelo amor ao ensino e à educação. A desvalorização dos docentes tem sido constante, além disso acusações de doutrinamento ideológico e até perseguições se somam às dificuldades inerentes ao cotidiano escolar como a falta de recursos básicos. A pandemia do coronavírus ao estabelecer o ensino remoto, reiterou a desigualdade existente no país, uma vez que cerca de 58% dos domicílios brasileiros não possuíam computadores e 33% não possuíam acesso à internet.


Além doevidente desequilíbrio socioeconômico, outros fatores contribuem para dificultar o processo. Recentemente um artigo de jornal denunciou a escassez de professores em diversas áreas, o que poderá culminar no apagão de 235 mil docentes no Brasil, o que revela como as licenciaturas têm sido pouco atraentes aos jovens que se formam no ensino médio, bem como a evasão de muitos graduandos. Não é nenhuma novidade a necessidade de políticas públicas voltadas para a valorização das escolas e das carreiras docentes, há tempos se discute essa problemática. A precarização do profissional da educação, somado a baixa remuneração, a falta de infraestrutura como equipamentos e materiais de apoio são fatores que merecem especial atenção. Como atravessamos um ano eleitoral, quem sabe futuramente os ventos mudem e tragam o tal do reconhecimento tão almejado ao magistério e a melhoria na educação de uma maneira geral.


Sobre a efeméride, vale ainda recordar o decreto do imperador D. Pedro I estabelecido no dia 15 de outubro de 1827, que determinava a criação das “primeiras escolas de letras em todas as cidades, vilas e lugares mais populosos do Império”. O texto da lei se desdobrava em 17 artigos, que preconizava o conteúdo a ser ensinado pelos professores: leitura, escrita, gramática da língua nacional, as quatro operações da aritmética, noções de geometria, noções de ciências naturais, geografia e história, bem como assumia os princípios da religião católica no currículo. De fato, o sistema nacional de instrução pública não chegou a ser implementado, porém, é um marco na história da educação brasileira, uma vez que “essa primeira lei de educação do Brasil independente não deixava de estar em sintonia com o espírito da época. Tratava ela de difundir as luzes garantindo, em todos os povoados, o acesso aos rudimentos do saber que a modernidade considerava indispensáveis para afastar a ignorância” (SAVIANI, 2021, p. 152).


Cerca de 195 anos nos distanciam da considerada primeira lei da educação brasileira. A Constituição Federal de 1988, no artigo 205, preconiza que “a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Como um direito fundamental ao cidadão e cidadã de cada pedacinho do território nacional, a educação não é um privilégio para poucos, tampouco um gasto desnecessário, é um investimento para o futuro do país, relembrando as reflexões do pensador baiano de Caetité, que publicou, em 1957, a obra Educação não é privilégio, e foi recentemente homenageado no espetáculo infantil “Anísio e a devoradora de livros” de Leila Meirelles e João Sant’Anna. Assim, torço pela valorização da educação e dos professores no nosso país em um futuro próximo, e que a efeméride não se restrinja apenas a uma data de um calendário.


Referências:

PALHARES, Isabela. Sem atrair jovens para profissão, Brasil pode ter apagão de 235 mil professores. Educação. Folha de São Paulo. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2022/09/sem-atrair-jovens-para-profissao-brasil-pode-ter-apagao-de-235-mil-professores.shtml Acesso em: 14 out. 2022.

SAVIANI, Dermeval. História das ideias pedagógicas no Brasil. Campinas: Autores associados, 2021.

“Anísio e a Devoradora de Livros” homenageia Anísio Teixeira e incentiva a leitura. Rotacult, 05 de setembro de 2022. Disponível em:


*Luciene Carris é historiadora (UERJ).

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